#Culturando: indicação de filme – The Normal Heart

Olá phynos! Um novo mês chegou, e com ele mais uma série aqui no blog. Em junho, vamos fazer o #Culturando, e toda segunda e terça vamos indicar um filme, um livro, uma série ou um passeio cultural pra você fazer sozinha, acompanhada, com o amor, os amigos, a família, ou quem você quiser. A ideia é fazer um mês cultural, porque cultura nunca é demais, né? Vou começar falando de um dos filmes que mais mexeram comigo na vida, fica tranquilo que não tem spoiler 😉

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Eu assisti The Normal Heart ano passado e até hoje ele mexe comigo. É um daqueles filmes que muda a vida mesmo, sua percepção do mundo, seu conceito a respeito do preconceito e da marginalização com os portadores de HIV. É um filme que humaniza, que machuca, que toca na ferida e faz a gente refletir. É um filme pra quem tem estômago forte e aguenta o tranco, quando ele acabou, eu fiquei uns trinta minutos chorando e sem reação.

O enredo se passa em NY nos anos 80, quando a AIDS se alastrava de forma preocupante e mais de 50% dos infectados morriam, só que ainda não se tinham muitas informações sobre a doença e seu contágio, e como a maioria dos infectados eram homossexuais, a doença foi “apelidada” de câncer gay. Esse estigma, somado ao preconceito com os gays, contribui para a marginalização dos homossexuais e principalmente, dos que estavam infectados. Eles não conseguiam tratamento digno porque a sociedade simplesmente se negava a tratá-los por considerar a doença um “castigo” por eles serem homossexuais. As únicas pessoas que lutam pelos direitos dos gays infectados são a doutora Emma Broker (Julia Roberts) e o escritor Ned Weeks, que vai atrás dos veículos de informação de NY em busca de campanhas de conscientização e incentivo à conscientização, pesquisa e tratamento.

Vocês imaginam o cenário caótico né? Uma comunidade que já sofria com o preconceito devastada por uma doença que, se não tiver o tratamento adequado, destrói o infectado de forma muito violenta, porque ele fica sem defesa nenhuma contra qualquer tipo de ameaça. Além de ser um filme forte que mostra uma realidade, revolta saber que até hoje, mais de 30 anos depois, os infectados com o HIV ainda sofrem a marginalização que é causada pura e simplesmente pelo preconceito e pela falta de informação. E além disso, a falta de informação ainda é um dos maiores agravantes do índice de contágio.

Eu nunca tive um caso de AIDS na família, não posso imaginar o que é conviver com essa doença que não tem cura, que precisa de controle e monitoramento constante, até o fim da vida. Mas minha visão mudou completamente depois disso. Além disso, eu que cresci sem preconceito, pude ver uma das faces mais puras do amor entre duas pessoas, independente do sexo. É uma lição de vida e é um filme que todo mundo devia assistir. Foi um filme produzido pra televisão pela HBO, então é bem fácil achar na internet 🙂

Ana Paula de Almeida

24 anos, jornalista, apaixonada por moda, redes sociais, Netflix e playlists do Spotify. Caipira morando na cidade grande e que ainda pega ônibus errado