Reflexão sobre moda, sustentabilidade e consumo consciente

slow_fashion

Ultimamente venho refletindo muito sobre sustentabilidade e sobre como nosso mundo precisa mudar a forma de consumir, antes que aquele futuro caótico mostrado nos filmes e nas séries vire realidade. Nas últimas décadas a gente viveu um boom do consumo, fomos bombardeados pela mídia com propagandas e compramos a ideia de que a gente nunca tem o suficiente, e precisamos comprar mais e mais.

Basta ver a velocidade em que uma tendência surge e vai embora, e nesse meio tempo a gente precisa estar na moda e comprar tudo o que corresponda aquela tendência. E olha, eu me incluo muito nisso. Hoje em dia já tenho mais consciência, e antes de comprar qualquer coisa, me pergunto: vou usar isso daqui a seis meses? Eu preciso dessa peça? Isso tem a ver com o meu estilo?

Nesse aspecto, a descoberta da identidade, e consequentemente do estilo, ajuda muito no processo. Afinal, ao se descobrir, você já descarta uma série de tendências passageiras e passa a dar valor a peças mais duráveis e que conversem com a sua personalidade. Mas ninguém está imune a se apaixonar por uma moda do momento, por mais consciente que nós possamos ser.

E você pode até não se questionar sobre isso, mas essa onda de um consumo mais consciente na moda tem muito a ver com sustentabilidade. Se engana quem pensa que o conceito da sustentabilidade é aplicado apenas à natureza, poluição, exploração, etc. Ok, ele começa aí, mas o tecido da sua brusinha vem de onde, querida? Uma roupa passa por uma série de processos até chegar ao seu guarda-roupa, e na hora de repensar o consumo, é preciso refletir sobre isso.

Mas ok, e o que é o consumo sustentável? Eu sei que não sou nenhuma especialista sobre o assunto, mas em termos práticos, uma roupa para ser sustentável precisa superar o ciclo planejado, ou seja, ela deve ser reaproveitada mesmo quando a “moda passa”. E isso engloba várias questões, seja o reaproveitamento da peça inicial para a criação de novas peças (vestido que vira saia e blusa, por exemplo), a troca dele com outras pessoas, ou simplesmente a readequação da peça em outras estações e temporadas. Nesse artigo aqui, você pode entender melhor vários conceitos da moda sustentável, que vem desde o design até a compra final.

E por que eu tô falando disso aqui hoje? Porque mais do que nunca nós precisamos virar nossos olhos à alternativas sustentáveis, porque o planeta pede socorro. Se você não sabe por onde começar, já existem várias iniciativas incríveis que podem te ajudar:

  • Eventos de troca: reúna suas amigas para vocês trocarem roupas entre si, seja de graça, seja por um precinho bem camarada. Faça aquela limpa no seu guarda-roupa com peças que você não usa mais, não gosta, não te servem, enfim, e troquem entre si. Além de ser um evento divertido, você ainda pode fazer outras pessoas felizes e renovar seu armário. Um exemplo muito bacana que acontece em SP é o Trocaderia, mas você mesmo pode organizar um aí, na sua cidade.
  • Descubra seu estilo, desconstrua padrões e aprenda assim a comprar só o que tem a ver com você. No meio de tantas informações, é difícil não cair na tentação de consumir o que se vê pela frente, e no fim você fica com uma peça encalhada lá no fundo do armário porque ela simplesmente não tem nada a ver com você. Se você precisa de uma ajudinha, o evento Desconstrua a Moda, da minha amiga Aly Takai e da incrível Ana Soares do Hoje Vou Assim OFF (blog que eu amooo) é feito exatamente para te ajudar nisso. Infelizmente as inscrições pro último workshop do ano já estão encerradas, mas bota no seu radar porque ano que vem tem mais, e eu indico muito a participação!
  • Compre do pequeno: assim como no consumo de alimentos, o pequeno produtor de roupas precisa de incentivo. Compre dos pequenos ateliers, onde você sabe os processos, de onde vieram os tecidos, e onde você pode inclusive participar do processo de criação. A chamada slow fashion é um movimento que incentiva o consumo consciente, e que procura produzir a moda que não vai e vem, são peças trabalhadas para durarem e que preza por processos éticos de produção. Eu sou suspeita para falar, mas a Denise, minha parceira de blog, tem o Atelier Enjoy que segue essa linha, e são peças feitas por ela e pela avó, que além de lindas, carregam muito carinho em cara produção.
  • Uma iniciativa bacana em São Paulo é o Ateliê Vivo, que é uma biblioteca de modelagens, onde você pode levar seu tecido, cortar e costurar lá mesmo com base em moldes de grandes estilistas, como o Alexandre Herchcovitch.

Enfim, existem muitas iniciativas bacanas por aí, e se você conhece, me conta nos comentários porque eu também quero conhecer!

Espero que essa reflexão provoque boas discussões entre a gente, e se eu fui rasa, me digam nos comentários porque quero muito aprender mais sobre o tema.

Vamos conversar sobre consumo sustentável?

Ana Paula de Almeida

24 anos, jornalista, apaixonada por moda, redes sociais, Netflix e playlists do Spotify. Caipira morando na cidade grande e que ainda pega ônibus errado